Um dos princípios básicos do Andes-Sindicato Nacional é a
defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, e esse principio está
cada vez mais difícil de sustentar por causa, justamente, do corte orçamentário
do governo. O discurso sobre a “Pátria Educadora” já mostrou sua verdadeira
face na medida em que reduz, drasticamente, os recursos para a educação,
privilegiando investimentos de estímulos ao ensino privado. Chegou, portanto, a
hora de reagir.
A deflagração da greve dos docentes das Instituições Federais
de Ensino (IFE), no dia 28 de maio de 2015, consiste em uma resposta política à
indignação que tomou conta da categoria, depois de várias tentativas
infrutíferas de negociação com o governo. É importante ressaltar que a última
negociação ocorreu em 23 de abril de 2014, na qual foi assinado um acordo entre
a Secretaria de Educação Superior (SESu)/ Ministério da Educação (MEC) e
ANDES-Sindicato Nacional, em que o governo reconheceu a desestruturação da
carreira dos docentes federais e apontou para a continuidade da sua discussão
conceitual.
Somente em 6 de maio de 2015 o ANDES-SN foi recebido no MPOG, sem
respostas concretas à pauta. Em reunião realizada com a SESu/MEC no dia 22 de
maio de 2015, o Ministro da Educação em exercício Luiz Cláudio Costa afirmou
que não reconhece o acordo assinado em 2014 e que o governo não tem nenhuma
proposta efetiva para apresentar à pauta dos docentes federais, já protocolada
desde março de 2014.
Juntamente com a dificuldade de negociação com setores
oficiais, a conjuntura se mostra ainda mais prejudicial aos servidores da
educação, quando se avalia os cortes determinados pelo governo federal em 2015
no orçamento geral e, mais agressivamente, no MEC. A insuficiência de recursos
têm trazido enormes prejuízos para o desenvolvimento das atividades nas IFE,
aprofundando a precarização das condições de trabalho, que se evidencia na
falta de professores(as) e servidores técnico-administrativos, no pagamento dos
trabalhadores terceirizados, na interrupção e adiamento de obras e corte de
materiais e equipamentos para as atividades docentes.
Sendo assim, além da
defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, constam como pontos
principais da pauta da categoria a garantia de autonomia das Instituições
Federais de Ensino (IFE), a reestruturação da carreira e a valorização salarial
de ativos e aposentados. Sem condições para oferecer um serviço de qualidade à
população, docentes de todo o país recorreram à greve para reivindicar direitos
básicos, retirados sem qualquer preocupação pelo Governo Federal.
Por tudo
isso, conclamamos a todas e todos a se somarem à nossa luta. Essa batalha não é
só dos(as) professores (as), mas daqueles (as) que desejam um país digno e uma
educação pública, gratuita e de qualidade.
Comando Nacional de Greve ANDES/SN
Comando Local de Greve ADUFAL

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